
Posso dizer com facilidade que essa foi a melhor história em quadrinhos que eu já pude ler, até tenho sérias dúvidas se um dia terei em mãos uma
graphic novel tão moralmente avassaladora, tão crítica com super-heróis e com a atual sociedade bélica. Acredito que o título não seja desconhecido entre os leitores do
Falando de Fantasia, mesmo porque a história está sendo adaptada para o cinema, será lançada no final do primeiro semestre do ano que vem, e já conquistou diversos prêmios, que vão desde os de quadrinhos até os de obras literárias.
Watchmen foi considerado um marco nos quadrinhos, já que seu enredo maduro, sua linguagem diferenciada e sua temática social conquistaram o interesse do público adulto, até então afastado do formato dos quadrinhos; a este feito podemos somar a participação de
Art Spiegelman, em
Maus, e
Frank Miller, em
O Cavaleiro das Trevas.
Alan Moore, buscando transcender as possibilidades dos quadrinhos, criou uma trama que envolvia histórias obscuras por trás dos super-heróis; esses arquétipos de perfeitos cidadãos também possuiriam problemas éticos e psicológicos, traumas, preconceitos, defeitos, entre outros pontos não observados nas histórias em quadrinhos até o lançamento de Watchmen. Moore ainda usou como pano de fundo uma história alternativa onde os Estados Unidos teriam vencido a
Guerra do Vietnã e estariam prestes a entrar em um conflito nuclear com a União Soviética. Um pouco caótico, não? Ainda nem comecei... Após um pequeno incidente em um laboratório nuclear, o cientista
Jonathan Osterman é transformado no
Dr. Manhattan, uma criatura com poderes que vão desde a manipulação total da matéria até o controle do espaço temporal. Esse acidente fez com que o governo utilizasse, estrategicamente, Osterman como uma peça chave a fim de evitar conflitos e evoluir drasticamente sua tecnologia.
O primeiro obstáculo para Alan Moore e o ilustrador
Dave Gibbons, muito importante no desenvolvimento da graphic novel, foi a escolha dos personagens a serem usados. A princípio seriam usados os personagens da
MJL Comics (nessa ocasião em negociações com a
DC Comics), optaram, porém, por usar os personagens recém comprados da
Charlton Comics, todavia essa idéia foi descartada devido ao cuidadoso trabalho que a DC Comics vinha desenvolvendo para inserir esses heróis em seu universo.
Dick Giordano, que havia trabalhado na Charlton Comics, sugeriu que Moore e Gibbons começassem a criação do zero, utilizando apenas algumas características de outros super-heróis. Essa reconstrução foi bem interessante para a época, já que tratou de modo subjetivo alguns estereótipos de heróis em evidência; desse mesmo modo podemos explicar a mudança dos trajes que o diretor
Zack Snyder inseriu para criticar os “novos” fantasiados que estão invadindo o cinema. Com a resposta para esse problema, faltava então desenvolver a temática em volta da morte de um dos personagens. Os escritos originais preencheriam apenas seis volumes, entretanto as várias tramas menores, que englobam o passado e o presente dos vigilantes, conseguiram fazer com que Watchmen viesse a fechar com doze volumes.
A graphic novel começa quando
Edward Blake, conhecido como
Comediante, é encontrado misteriosamente morto. Todos encaram o fato como suicídio ou algo insignificante demais para ser melhor averiguado, já que o passado de Blake não era um dos melhores e ele poderia ter diversos inimigos. No entanto há
Rorschach, o único vigilante na ativa e o único com capacidade para buscar vestígios do assassino; seja por tortura, invasões ou tendo poucas horas de sono. Sem saber qual será o desfecho do caso, o último vigilante (ou talvez o primeiro dos últimos) se depara com uma conspiração que envolve o desaparecimento de todos os super-heróis. Ao longo da história muitos personagens ganham importância, tais como
Coruja,
Júpiter,
Ozymandias,
Moloch e até o dono da banca de jornal!
É necessário ressaltar alguns pontos curiosos dentro da história, como o fato dos Estados Unidos proibirem a existência de heróis fantasiados. Estes foram banidos pela
Lei Keene por agirem “acima da lei”, fazendo com que policiais entrassem em greve e cidadãos fossem às ruas para manifestar contra as ações dos vigilantes.
Tudo que mencionei não compreende nem um vigésimo da profundidade de Watchmen. Com um começo instigante e um final de cair o queixo, muitas questões acabam sendo levantadas: afinal, o que é melhor para o homem? Qual a solução para o caos urbano que ruma à antropofagia? Qual o sentido de viver sem se preocupar com o próximo? Espero que leiam, todos os quadrinhos estão disponíveis no fórum
F.A.R.R.A. (necessário se registrar). Fiquem agora com o trailer oficial do filme, até mais!