segunda-feira, 4 de maio de 2009

NewPop anuncia novo mangá nacional


Foi anunciado pela New Pop Editora, conhecida por publicar títulos como Speed Racer, Dark Metrô e Tarot Café, o lançamento ainda nesse ano de um novo mangá nacional. Com o curioso título de Hansel & Gretel, a publicação contará a história de dois irmãos gêmeos recém-mutilados, após um longo período num cativeiro com uma velha canibal, em busca do pai em uma cidade nada receptiva. Tudo requintado com muitas referências de fantasia, steampunk e terror! No blog oficial você pode obsevar que até o momento o mangá terá a presença de personagens baseados em Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz.

Com roteiros de Douglas MCT, que além de roteirista é designer gráfico, um dos responsáveis por O Medonho Mundo de Gór e que atualmente trabalha em seu livro Necrópolis, e ilustrações de Ulisses Perez, conhecido pelo seu trabalho na clássica minissérie Combo Rangers, escrita por Fábio Yabu, o projeto já tem conquistado alguns fãs, além de muitos curiosos que desejam ver o desfecho dessa obra que tem a fórmula do sucesso.

Divulgada a capa d'O Feiticeiro da Montanha de Fogo

Após o anúncio da volta das Aventuras Fantásticas pela Jambô Editora, muitos RPGístas nostálgicos passaram a aguardar ansiosamente mais informações sobre o primeiro livro publicado: O Feiticeiro da Montanha de Fogo. Não vivenciei a época do sucesso dos livros e tive poucas oportunidades para jogá-los, mas chances como essa não podem ser desperdiçadas.

Hoje saiu pelo site .20 a imagem da capa e a ilustração completa da mesma, a belíssima arte ficou por conta de Patricia Knevitz e Ricardo Riamonde. O livro terá o singelo custo de R$19,90 e contará com 192 páginas de pura aventura na pele de um herói que busca derrotar o maligno feiticeiro Zagor, residente da tenebrosa Montanha de Fogo.

domingo, 3 de maio de 2009

Lançamento paulista de Espelhos Irreais

Para os apreciadores da cena tupiniquim de escritores de fantasia, ficção científica e terror, será realizado às 20 horas no dia 9 de Maio, na livraria Cultura, localizada no shopping Bourbon Pompéia (São Paulo Capital), o lançamento do livro Espelhos Irreais. A obra é a primeira organizada e publicada pelo grupo de escritores da Fábrica dos Sonhos! Nesse livro contaremos com cinco contos de novos autores brasileiros: Aguinaldo Peres, Ana Carolina Silveira, Roderico Reis, Daniel Gomes e Ana Cristina Rodrigues. Também será realizado pelo mesmo grupo, contando com apoio da OPELF, uma workshop dedicada à escritores iniciantes (ou não) que escreveram um livro, mas não possuem ideia de como publicarem. Mais informações da oficina Escrevi meu livro, e agora? podem ser obtidas nesse link.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Fábulas do Tempo e da Eternidade


O mercado editorial brasileiro voltado para a literatura de ficção fantástica e científica é ainda limitado e muitas vezes conservador, baseando-se unicamente em estratégias de vendas e publicando apenas obras com um público maior, mas pouco estruturado. As conseqüências dessas medidas são a pouca variedade dentro dos gêneros e a péssima qualidade dos livros que são publicados. Já tive a oportunidade de ler muitos livros nacionais ruins, sendo que alguns deles se tornaram muito famosos. Muitos autores populares, como é o caso do escritor e desenhista Orlando Paes Filho, parecem não possuir potencial estilístico para criar uma obra consistente e satisfatória para leitores amadurecidos. Felizmente não é o caso do primeiro livro da autora Cristina Lasaitis, uma paulistana de apenas 26 anos que ganhou espaço na ficção publicando contos em diversas coletâneas e recebendo notoriedade pelo seu excelente trabalho.

Publicado em 2008 pela Tarja Editorial, uma ótima editora que se propõe a publicar novos autores e obras inovadoras, além de manter um acabamento gráfico diferenciado, Fábulas do Tempo e da Eternidade nos mostra diferentes histórias acerca do tempo através de 12 contos. Os leitores fanáticos por ficção científica terão o prazer de encontrar referências sobre Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Ray Bradbury, William Gibson, Ursula K. Le Guin, entretanto não é só isso, pois também sentimos a aura do realismo fantástico dos gênios Jorge Luis Borges e Ítalo Calvino, a perspicácia de Clarice Lispector e até a sabedoria do mestre Machado de Assis. Admito que fiquei impressionado com a quantidade de referências durante a leitura, algo que só teve a acrescentar no estilo de Cristina.

A teoria do Não-Tempo desenvolvida pela professora brasileira Cláudia Mansilha e a mudança repentina de tudo que sabíamos sobre a física constituem o que há de mais interessante na obra para muitos leitores. Com um ritmo de leitura sintético e objetivo, carregado de complexas teorias e suposições sobre a constituição do tempo, que soam abstratas até para leitores que estudam ou trabalham na área de Exatas, o conto nos transporta para um Brasil prestes a ser reconhecido mundialmente através de uma experiência cujo objetivo é provar a inexistência do tempo. A quantidade de informações atiradas para o leitor, além dos fatos que compõem intrigante vida da professora Mansilha e sua obstinação pelo trabalho, cria uma realidade alternativa maravilhosamente verossímil e digna de ser comparada a credibilidade do mundo do livro As Fontes do Paraíso do já citado Arthur C. Clarke.

Em oposição à ficção científica soft temos o conto de realismo fantástico As Asas do Inca, onde a história de um imperador assombrado pelo medo da morte termina com uma ótima lição de moral. Ainda nessa mesma linha temos Nascidos das Profundezas, um dos meus contos preferidos, onde é possível observar uma apimentada antropológica durante o encontro de um povo miserável que habita o deserto e os visitantes de uma região mais rica da Terra. É interessante observar a linha tênue que separa os mundos onde os contos se passam, pois também Os Irmãos Siameses alimenta um cenário baseado na cultura latina, algo que enriquece a história dramática sobre a relação de dois irmãos fadados a convivência.

Outro conto de grande destaque é o Viagem Além do Absoluto, onde a escrita de Cristina nos faz flutuar diante de um mundo de fantasia e ficção científica sem limites! É com certeza um conto que nos remete imediatamente a fantasia absurda de Cosmicômicas, obra essencial para quem admira Ítalo Calvino, mas com um teor científico que coloca os leitores de ficção científica mais ferrenhos no chão. Um conto que gostei muito, tanto pela forma criativa de ter sido escrito, quanto pelo conteúdo e o final inesperado, foi o Os Parênteses da Eternidade, onde dois desconhecidos trocam cartas que viajam através do tempo, história ambientada em universo alternativo criado anos após a fantástica experiência de Cláudia Mansilha. Recomendo também a leitura do Caçadores de Anjos, onde Cristina Lasaitis utiliza mais uma vez da sua versatilidade como escritora e assim estrutura um cenário de fantasia medieval impecável.

Mais que uma coletânea de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade é um exemplo de que o Brasil tem potencial para publicar escritores de ficção em um nível superior ao de muitos países. Espero que assim como Cristina Lasaitis, muitos outros escritores surjam aí para mostrarem a qualidade e a criatividade do escritor brasileiro. Para mais informações sobre a autora e como adquirir o livro, acessem o Wordpress da mesma, abraços!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Elfos


Como estão meus caros leitores? Aguardando a chegada da FLIP ou ainda acompanhando o pequeno escândalo sobre a política homofóbica da Amazon.com? Hoje preparei um artigo sobre um tema já conhecido até por leigos em ficção, mas que surgiu pelo meu entusiasmo na leitura do terceiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis; livro que infelizmente só estou tendo a oportunidade de ler agora. Queria aproveitar para avisar também que em breve estarei recebendo o primeiro volume do livro A Chave da Harmonia, do escritor Marcelo Salvaggio, para analisar e escrever uma resenha, além de anunciar minha entrada no blog Ambrosia, onde escreverei sobre diversos assuntos da cultura pop ao lado de outros parceiros convidados. É interessante observar que é mais uma porta aberta para divulgação de autores iniciantes e a difusão da literatura de fantasia e ficção científica.

Os elfos são figuras carismáticas e facilmente encontradas na mitologia e folclore escandinavos, nórdicos, germânicos e ingleses. Tornaram-se muito conhecidos, devido ao sucesso da adaptação cinematográfica da trilogia O Senhor dos Anéis, e consequentemente importantes dentro do imaginário da literatura fantástica e seus derivados: jogos eletrônicos, quadrinhos, jogos de RPG, filmes, etc. Muitos acreditam que foram inventados pelo próprio escritor J. R. R. Tolkien, ignorando as fontes mitológicas que o inspiraram na sua concepção para os elfos da Terra Média, no caso a mitologia nórdica acrescida da idéia dos valores cristãos.

Assim como fadas, gnomos e trolls, os elfos são pequenas divindades que habitam a natureza. Nela permanecem desfrutando sua infindável imortalidade e cultivando seu conhecimento sobre magia. Dominam também o uso de ervas mágicas, a leitura do mapa astral, conseguem viajar através de raios solares e podem atravessar portas e paredes. Sua aparência é semelhante ao do homem, porém distinguindo-se por sua beleza exuberante e jovialidade. Na mitologia nórdica, os elfos são descritos como semideuses ligados a idéia da fertilidade, assim como são os deuses Vanir. Classificados como "elfos da luz", foram relacionados ao Vanir conhecido como Freyr, deus nórdico do Sol. Mas quem seriam os elfos negros então? Seriam os anões na concepção do historiador islandês Snorri Sturluson, descritos como habitantes do mundo sob a terra e negros como a escuridão, ao contrário dos radiantes elfos da luz (os já falados Drows). Estes ainda eram descritos como amantes de banquetes regados a músicas alegres, vestiam-se com roupas verdes, possuíam olhos claros, cabelos prateados e orelhas pontudas como as dos duendes.

O folclore escandinavo difere da mitologia nórdica por possuir apenas elfas, habitantes das colinas e dos montes de pedras. Seu folclore criou uma série de costumes e crenças populares na Suécia, assim como temos a ferradura da sorte, o figo e o trevo de quatro folhas em nossa cultura brasileira. As älvor eram criaturas belíssimas e joviais, caracterizadas por mulheres loiras, vestidas de branco e que geralmente eram vistas dançando nos prados. Eram muito perigosas e podiam provocar doenças como vingança a provocações, por isso os escandinavos adquiriram o costume de gravar a cruz élfica em construções e objetos. Infelizmente a precaução não parava por aí, pois era necessário tomar cuidado com os anéis élficos: áreas circulares que podiam ser formadas por cogumelos onde as älvor estiveram dançando.

Os elfos ainda adotam um aspecto travesso e caricaturesco no folclore inglês. São descritos como pequenos seres de tendência caótica e que adoram pregar peças nos humanos. A obra de Shakespeare Sonho de uma Noite de Verão reforça o fato de "elfo" ser também sinônimo para "fada" ou ainda "encantado" (um ser mágico que habita as águas, o céu ou lugares sagrados).

Para os que ficaram curiosos ainda na concepção do elfo da Terra Média, o apêndice do livro O Retorno do Rei traz um breve resumo sobre eles, entretanto há um artigo completíssimo nessa página da Wikipédia em inglês. Espero que tenham gostado, abraços!

EIRPG 2009


Finalmente foram confirmados os dias no qual o EIRPG 2009 será realizado nesse ano. Muitos boatos afirmavam que o evento seria cancelado ou ocorreria dentro da programação do Anime Friends, um dos maiores eventos de anime da América Latina. Felizmente soube através dos companheiros do Ambrosia que o evento ocorrerá nos dias 4 e 5 de Julho e no mesmo local do ano passado, no caso o Colégio Marista Arquidiocesano, Vila Mariana. Só nos resta torcer para que ocorra também a Fantasticon 2009!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Filhos de Galagah


Como todo prezado brasileiro, tive de esperar o término desse prazeroso e ocioso feriado de Carnaval para retomar normalmente minhas atividades. Quem diria que hoje estaria resenhando o livro de um parceiro do Falando de Fantasia que rapidamente se tornou um amigo e mais um colega nas mirabolantes aventuras literárias fantásticas brasileiras. Estou falando de Leandro Reis, escritor paulista que lançou em Dezembro do ano passado seu primeiro e já aclamado romance Filhos de Galagah. Como já foi dito em outro artigo, acabei faturando por coincidência um exemplar do livro durante um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, o que foi uma ótima oportunidade para ser um dos primeiros a tirar conclusões dessa obra.

Filhos de Galagah conta a história de Galatea Goldshine, filha do venerado rei Airon Goldshine e motivo de adoração do povo de Galagah, este acostumado com a sabedoria com que o reino é comandado e com seus governantes carismáticos. Reverenciando o deus Radrak, os Guardiões da Vida são defensores sagrados que não medem forças para manter a ordem e eliminar qualquer tipo de injustiça; assim são Airon e seu conselheiro Ethan, por exemplo. Galatea, após anos de treinamento com seu tutor e lorde de guerra Módius e seu bondoso professor e bardo Vanliot, torna-se uma Campeã Sagrada com méritos e ainda recebe o título de Flagelo Dourado (antes pertencente ao misterioso Ethan). Escolhida pelo próprio Radrak, ela recebe a missão de encontrar três crianças denominadas Serafins e receber seus respectivos dons, porém isso terá de ser feito antes que os asseclas do maligno deus Orgul as alcancem. Para intensificar o clima da trama, o repentino sequestro de Thomas, irmão de Galatea, por parte dos enviados de Enelock acarreta no desespero da corte real. Existe uma profecia que afirma que a linhagem dos Goldshine será extinta pelas mãos dos aliados de Orgul. Mas em tempos de tempestade é preciso ter calma e muita fé, valores que torma os Guardiões da Vida tão especiais, assim como Galatea. Ela decide segui o destino traçado por Radrak e aguardar que as habilidades de seu irmão o salvem do perigo.

O enredo se desenrola com um ritmo agradável e flexível para com leitores novos e experientes, não perdendo a riqueza e não tornando-se enfadonho, porém o verdadeiro triunfo em Filhos de Galagah está justamente na construção dos diferentes personagens que são apresentados nesse universo. Quando digo que Galatea é irritante, não é por demérito à personagem, mas sim por seu fervor religioso que ultrapassa qualquer limite. Iallanara, ao contrário da Guardiã, é sombria, amargurada e encontra-se constantemente refletindo sobre sua condição. No início do livro ela contracena com a personagem principal, possibilitando ao leitor entender mais sobre seu passado e sobre o motivo que lhe causa tanto sofrimento; desde o prefácio já é possível perceber sua importância na conclusão do livro. Os elfos Sephiros e Gawyn são outros personagens que merecem muita atenção: enquanto um é sagaz e transmite uma aura de sabedoria ao leitor, o outro é piadista, hiperativo, mas com um grande senso de justiça; que atire a primeira pedra quem não riu de pelo menos uma piada contada por Gawyn! Garanto que sem essa dupla seria impossível ter uma história tão envolvente.

O que torna Filhos de Galagah tão especial é a honestidade que Leandro Reis nos conta suas histórias dentro de um cenário de alta fantasia. Percebemos em cada linha, em cada diálogo e em cada acontecimento a dedicação e o carinho com que foi escrita essa obra. Uma prova dessa dedicação é a contínua construção de Grinmelken através de contos, artigos sobre religião, descrições dos personagens e ilustrações dos mesmos, algo que deve agradar todos aqueles que se deliciaram com essa história e querem mais. É preciso lembrar que Filhos de Galagah é apenas o primeiro livro de muitos outros que ainda virão contando a história do mundo de Grinmelken, por isso aguardem por muito mais e torçam para que o segundo volume seja publicado em breve. Parabéns pela conquista Leandro e por mais um espaço aberto aos jovens escritores de fantasia e ficção científica.

Caso tenham se interessado pela obra, acessem o site oficial Grinmelken! Abraços e até a próxima.