quinta-feira, 9 de julho de 2009

Steampunk pelas mãos da Tarja Editorial

Em um período de crescimento no campo da literatura nacional, onde diversos autores iniciantes têm sido publicados, possuindo público-alvo e criando espaço para que outros escritores possam ter a mesma chance, muitas novidades têm aparecido. Tudo bem que essas "novidades" já não são tão novas assim, tendo como referência o mercado editorial estrangeiro, porém são essenciais para mostrar o poder da criatividade do brasileiro, expandir o campo da literatura, difundir novas idéias e conquistar muitos leitores. A Tarja Editorial surgiu há pouco tempo, mas já tem demonstrado seu diferencial ao publicar literatura de gênero, algo que tem sido fundamental para novos escritores e apreciadores vorazes como eu.

O lançamento dessa vez será do livro Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário, uma coletânea de histórias dentro desse subgênero com a participação de nove autores de peso, são eles: Alexander Lacaster, Antonio Luiz M. C. Costa, Claudio Villa, Flávio Medeiros, Fábio Fernandes, Gianpaolo Celli, Jacques Barcia, Roberto de Sousa Causo e Romeu Martins. É interessante ressaltar que essa é a primeira obra com conteúdo nacional do gênero a ser lançada no Brasil, prato cheio tanto para os novos leitores, quanto para os apreciadores que querem ver no que vai dar esse tempero tupiniquim.

Steampunk é um subgênero da ficção científica, mais precisamente do cyberpunk, que surgiu no final dos anos 80 e início dos anos 90 nos Estados Unidos. Sua idéia é ambientar histórias cuja tecnologia foi alcançada mais cedo, porém sendo aplicada com os recursos da época, no caso teríamos aviões e robôs a vapor, computadores de madeira e muitas outras engenhocas que se apropriam desse fundamento. Normalmente é ambientada em um cenário vitoriano e consequentemente possuindo um plano histórico modificado. O gênero Steampunk é um terreno fértil e pouco explorado por diversos escritores, acredito que o livro dará a muitos uma oportunidade de expandir a criatividade e fugir do lugar-comum que se tornou escrever sobre fantasia medieval.

O lançamento será realizado no dia 26 de Julho, às 11:00, na Fantasticon 2009, organizada na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, Rua Sena Madureira , n° 298, bairro Vila Mariana, São Paulo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lançamento de Enquanto Ele Estava Morto

Enquanto Ele Estava Morto é o primeiro romance escrito por Estevão Ribeiro, roteirista conhecido pelo herói brasileiro Tristão e a história em quadrinhos Contos Tristes. Como observador do cenário tupiniquim na área cultural, posso afirmar que Estevão é um dos poucos que conseguem viabilizar seus projetos através de determinação, um exemplo a ser seguido por muitos escritores, roteiristas e desenhistas.

O lançamento será realizado agora, no dia 8 de Julho, às 17:30 na Livraria Leonardo Da Vinci, localizada na Av. Rio Branco, nº 185, bairro Centro, Rio de Janeiro. Para os curiosos de plantão, é possível ler o primeiro capítulo do livro (apesar de estar no 4shared, foi hospedado pelo próprio autor) e foi publicada recente uma resenha muito interessante no Homem Nerd.

domingo, 17 de maio de 2009

Anunciado o Fantasticon 2009


Após o anúncio do cancelamento da EIRPG 2009, muitas pessoas ficaram preocupadas com a realização dos eventos independentes que ocorriam internamente. Os fãs de literatura, escritores e aspirantes aos mesmos podem ficar aliviados, pois já foi anunciada a realização do Fantasticon 2009 - III Simpósio de Literatura Fantástica, evento inteiramente dedicado aos amantes de ficção científica, fantasia e terror.

A proposta é reunir os adoradores dos gêneros e profissionais que trabalham no ramo para conversar, debater e também discutir sobre o mercado editorial brasileiro. Será o momento ideal para compreender a dimensão e importância da literatura fantástica nos nossos dias. Para agradar os fãs mais ferrenhos, o simpósio contará com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos e sessões de autógrafos.

O Fantasticon 2009 será realizado nos 25 e 26 de Julho, das 11 às 19 horas, na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, localizada na Rua Sena Madureira, número 298, Vila Mariana, São Paulo capital.

O evento é uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, com a organização de Silvio Alexandre e o apoio do GELF, do CLFC, da OPELF, da Fly Cow Produções Culturais e da Cálamo Editorial.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lançamento de Balaiada: A Guerra do Maranhão


A guerra da balaiada, que completou 170 anos no ano passado, foi uma das maiores e mais representativas rebeliões registradas no Maranhão, ganhando repercurssão por todo o país. Problemas econômicos e questões políticas deram início à guerra, posteriormente assumida pelas classes mais afetadas: vaqueiros, artesãos, escravos fugitivos, desertores das forças armadas, quilombolas e sertanejos.

Em 1838, o conflito foi iniciado quando Raimundo Gomes, chefiando um grupo de vaqueiros, retirou da cadeia seu irmão e outros homens detidos para prestar o serviço militar. Em seguida juntaram-se aos manifestantes o fabricante de balaios Manuel Francisco dos Anjos e Cosme Bento, um ex-escravo líder de cerca de 3 mil escravos fugidos.Logicamente a revolta não foi tratada com delicadeza pelo governo, sendo enviado o comandante Luis Alves de Lima e Silva, liderando uma tropa de 8 mil homens, para controlar a situação.

É nesse clima de manifestação popular e luta pela melhoria social que o roteirista Iramir Araújo se inspirou para concluir sua obra Balaiada: A Guerra do Maranhão se inspirou para concluir sua obra , com arte de Ronilson Freire e Beto Nicácio. Após diversos atrasos na publicação, finalmente o álbum em quadrinhos será lançado ainda nesse mês. A iniciativa tem como objetiva mostrar novos ângulos sobre o importante acontecimento histórico e despertar o interesse de jovens estudantes.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

The Legend of Sigurd & Gudrún pode aborrecer fãs

Não é preciso dizer que J. R. R. Tolkien é um dos mais importantes escritores do século XX e um autor que trouxe a ficção a outro patamar. Após escrever sucessos como O Hobbit e O Senhor dos Anéis, além de outras obras mais desconhecidas como Roverandom, muitos textos deixaram de ser publicados e permaneceram inéditos com a morte do autor em 1973. Seu filho, Christopher Tolkien, ficou responsável por organizar e moldar do enorme número de anotações os livros póstumos a morte de Tolkien, podendo citar Contos Inacabados e o mais recente Os Filhos de Húrin.

Não foi diferente com a obra inédita The Legend of Sigurd & Gudrún, aguardada desde o anúncio de sua publicação. Porém, em uma entrevista ao jornal The Guardian, Christopher afirmou que o livro poderá desagradar muitos fãs tradicionais, mostrando um lado do escritor pouco conhecido pelos leitores. A obra, um poema narrativo de 500 estrofes baseado na cultura medieval nórdica, não tem data de publicação no Brasil, mas, para os mais entusiasmados, estará sendo vendido nas livrarias portuguesas em Novembro desse ano.

Eu, como um fã assumido de Tolkien, fiquei mais curioso do que necessariamente com medo de me decepcionar em algum momento com as idéias inseridas na trama. Assim como outros leitores, tenho mais medo do livro não ser publicado no território tupiniquim!

terça-feira, 5 de maio de 2009

The Hunt For Gollum


The Hunt For Gollum é um filme inteiramente feito pelos fãs do mestre J. R. R. Tolkien contando a busca de Aragorn por Gollum. Infelizmente não tive tempo de conferir, mas ele já está disponível em HD e com legendas em português, bastando acessar o menu para habilitar essa opção. Para assistir essa interessante produção de apenas 40 minutos, basta acessar esse link.

Lançamento paulista do segundo volume de Paradigmas

Mais uma surpresa para quem vem acompanhando os lançamentos da Tarja Editorial, mesma editora que publicou Fábulas do Tempo e da Eternidade. Hoje foi anunciado o lançamento do segundo volume da coletânea de contos Paradigmas.

A obra se tornou um grande destaque no meio por apresentar formas interessantes e excêntricas de se contar histórias, unindo autores de literatura fantástica que se empenham na busca do novo e incomum, mas empregando todo o conhecimento transmitido através de séculos de literatura. Paradigmas contradiz a essência de seu nome e inova graças a criatividade e o talento com que os autores lidam com os 13 diferentes contos que compõem suas 120 páginas. Além do conteúdo, a arte da capa também merece destaque, uma belíssima composição que nos transporta para a idéia do livro.

O lançamento será realizado no dia 15 de Maio, às 18:30h no restaurante Bardo Batata, localizado na Rua Bela Cintra, nº 1333, no bairro Jardins (São Paulo Capital). Sem dúvida será uma ótima oportunidade de conhecer grandes escritores, beber e ainda ter em mãos um livro no mínimo intrigante! Paradigmas - Volume 2 também já está em pré-venda, podendo ser adquirido nesse link por míseros R$13 reais, aproveite essa chance.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pré-venda de Formaturas Infernais


Já está em pré-venda mais uma obra da escritora Stephanie Meyer, mas dessa vez com a parceria das autoras Meg Cabot, conhecida por O Diário da Princesa, Kim Harrison, Michele Faffe e Lauren Myracle. Formaturas Infernais é um livro que mescla elementos de fantasia e terror em cinco histórias com base nas formaturas, tão aclamadas entre os adolescentes do mundo todo. Com situações aterrorizantes, tais quais dançar com a Morte e uma batalha entre anjos e demônios, além dos já esperados vampiros, o livro promete "uma grande dose de assustadora diversão".

Não é preciso dizer que está aí uma forma inédita para vender muitos livros: duas autores famosas entre a massa reúnem-se para publicar histórias de terror e romance água-com-açúcar, tudo isso aproveitando a febre mundial que se tornou o livro Crepúsculo. Alguns leitores mais seletivos afirmam que a história de Kim Harrison, escritora do gênero fantasia urbana, merece destaque, mas creio que seja mais sensato então ler uma obra de sua autoria apenas.

Com 288 páginas e o custo de R$27,90 reais, o livro já está disponível na loja do Submarino.

NewPop anuncia novo mangá nacional


Foi anunciado pela New Pop Editora, conhecida por publicar títulos como Speed Racer, Dark Metrô e Tarot Café, o lançamento ainda nesse ano de um novo mangá nacional. Com o curioso título de Hansel & Gretel, a publicação contará a história de dois irmãos gêmeos recém-mutilados, após um longo período num cativeiro com uma velha canibal, em busca do pai em uma cidade nada receptiva. Tudo requintado com muitas referências de fantasia, steampunk e terror! No blog oficial você pode obsevar que até o momento o mangá terá a presença de personagens baseados em Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz.

Com roteiros de Douglas MCT, que além de roteirista é designer gráfico, um dos responsáveis por O Medonho Mundo de Gór e que atualmente trabalha em seu livro Necrópolis, e ilustrações de Ulisses Perez, conhecido pelo seu trabalho na clássica minissérie Combo Rangers, escrita por Fábio Yabu, o projeto já tem conquistado alguns fãs, além de muitos curiosos que desejam ver o desfecho dessa obra que tem a fórmula do sucesso.

Divulgada a capa d'O Feiticeiro da Montanha de Fogo

Após o anúncio da volta das Aventuras Fantásticas pela Jambô Editora, muitos RPGístas nostálgicos passaram a aguardar ansiosamente mais informações sobre o primeiro livro publicado: O Feiticeiro da Montanha de Fogo. Não vivenciei a época do sucesso dos livros e tive poucas oportunidades para jogá-los, mas chances como essa não podem ser desperdiçadas.

Hoje saiu pelo site .20 a imagem da capa e a ilustração completa da mesma, a belíssima arte ficou por conta de Patricia Knevitz e Ricardo Riamonde. O livro terá o singelo custo de R$19,90 e contará com 192 páginas de pura aventura na pele de um herói que busca derrotar o maligno feiticeiro Zagor, residente da tenebrosa Montanha de Fogo.

domingo, 3 de maio de 2009

Lançamento paulista de Espelhos Irreais

Para os apreciadores da cena tupiniquim de escritores de fantasia, ficção científica e terror, será realizado às 20 horas no dia 9 de Maio, na livraria Cultura, localizada no shopping Bourbon Pompéia (São Paulo Capital), o lançamento do livro Espelhos Irreais. A obra é a primeira organizada e publicada pelo grupo de escritores da Fábrica dos Sonhos! Nesse livro contaremos com cinco contos de novos autores brasileiros: Aguinaldo Peres, Ana Carolina Silveira, Roderico Reis, Daniel Gomes e Ana Cristina Rodrigues. Também será realizado pelo mesmo grupo, contando com apoio da OPELF, uma workshop dedicada à escritores iniciantes (ou não) que escreveram um livro, mas não possuem ideia de como publicarem. Mais informações da oficina Escrevi meu livro, e agora? podem ser obtidas nesse link.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Fábulas do Tempo e da Eternidade


O mercado editorial brasileiro voltado para a literatura de ficção fantástica e científica é ainda limitado e muitas vezes conservador, baseando-se unicamente em estratégias de vendas e publicando apenas obras com um público maior, mas pouco estruturado. As conseqüências dessas medidas são a pouca variedade dentro dos gêneros e a péssima qualidade dos livros que são publicados. Já tive a oportunidade de ler muitos livros nacionais ruins, sendo que alguns deles se tornaram muito famosos. Muitos autores populares, como é o caso do escritor e desenhista Orlando Paes Filho, parecem não possuir potencial estilístico para criar uma obra consistente e satisfatória para leitores amadurecidos. Felizmente não é o caso do primeiro livro da autora Cristina Lasaitis, uma paulistana de apenas 26 anos que ganhou espaço na ficção publicando contos em diversas coletâneas e recebendo notoriedade pelo seu excelente trabalho.

Publicado em 2008 pela Tarja Editorial, uma ótima editora que se propõe a publicar novos autores e obras inovadoras, além de manter um acabamento gráfico diferenciado, Fábulas do Tempo e da Eternidade nos mostra diferentes histórias acerca do tempo através de 12 contos. Os leitores fanáticos por ficção científica terão o prazer de encontrar referências sobre Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Ray Bradbury, William Gibson, Ursula K. Le Guin, entretanto não é só isso, pois também sentimos a aura do realismo fantástico dos gênios Jorge Luis Borges e Ítalo Calvino, a perspicácia de Clarice Lispector e até a sabedoria do mestre Machado de Assis. Admito que fiquei impressionado com a quantidade de referências durante a leitura, algo que só teve a acrescentar no estilo de Cristina.

A teoria do Não-Tempo desenvolvida pela professora brasileira Cláudia Mansilha e a mudança repentina de tudo que sabíamos sobre a física constituem o que há de mais interessante na obra para muitos leitores. Com um ritmo de leitura sintético e objetivo, carregado de complexas teorias e suposições sobre a constituição do tempo, que soam abstratas até para leitores que estudam ou trabalham na área de Exatas, o conto nos transporta para um Brasil prestes a ser reconhecido mundialmente através de uma experiência cujo objetivo é provar a inexistência do tempo. A quantidade de informações atiradas para o leitor, além dos fatos que compõem intrigante vida da professora Mansilha e sua obstinação pelo trabalho, cria uma realidade alternativa maravilhosamente verossímil e digna de ser comparada a credibilidade do mundo do livro As Fontes do Paraíso do já citado Arthur C. Clarke.

Em oposição à ficção científica soft temos o conto de realismo fantástico As Asas do Inca, onde a história de um imperador assombrado pelo medo da morte termina com uma ótima lição de moral. Ainda nessa mesma linha temos Nascidos das Profundezas, um dos meus contos preferidos, onde é possível observar uma apimentada antropológica durante o encontro de um povo miserável que habita o deserto e os visitantes de uma região mais rica da Terra. É interessante observar a linha tênue que separa os mundos onde os contos se passam, pois também Os Irmãos Siameses alimenta um cenário baseado na cultura latina, algo que enriquece a história dramática sobre a relação de dois irmãos fadados a convivência.

Outro conto de grande destaque é o Viagem Além do Absoluto, onde a escrita de Cristina nos faz flutuar diante de um mundo de fantasia e ficção científica sem limites! É com certeza um conto que nos remete imediatamente a fantasia absurda de Cosmicômicas, obra essencial para quem admira Ítalo Calvino, mas com um teor científico que coloca os leitores de ficção científica mais ferrenhos no chão. Um conto que gostei muito, tanto pela forma criativa de ter sido escrito, quanto pelo conteúdo e o final inesperado, foi o Os Parênteses da Eternidade, onde dois desconhecidos trocam cartas que viajam através do tempo, história ambientada em universo alternativo criado anos após a fantástica experiência de Cláudia Mansilha. Recomendo também a leitura do Caçadores de Anjos, onde Cristina Lasaitis utiliza mais uma vez da sua versatilidade como escritora e assim estrutura um cenário de fantasia medieval impecável.

Mais que uma coletânea de contos, Fábulas do Tempo e da Eternidade é um exemplo de que o Brasil tem potencial para publicar escritores de ficção em um nível superior ao de muitos países. Espero que assim como Cristina Lasaitis, muitos outros escritores surjam aí para mostrarem a qualidade e a criatividade do escritor brasileiro. Para mais informações sobre a autora e como adquirir o livro, acessem o Wordpress da mesma, abraços!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Elfos


Como estão meus caros leitores? Aguardando a chegada da FLIP ou ainda acompanhando o pequeno escândalo sobre a política homofóbica da Amazon.com? Hoje preparei um artigo sobre um tema já conhecido até por leigos em ficção, mas que surgiu pelo meu entusiasmo na leitura do terceiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis; livro que infelizmente só estou tendo a oportunidade de ler agora. Queria aproveitar para avisar também que em breve estarei recebendo o primeiro volume do livro A Chave da Harmonia, do escritor Marcelo Salvaggio, para analisar e escrever uma resenha, além de anunciar minha entrada no blog Ambrosia, onde escreverei sobre diversos assuntos da cultura pop ao lado de outros parceiros convidados. É interessante observar que é mais uma porta aberta para divulgação de autores iniciantes e a difusão da literatura de fantasia e ficção científica.

Os elfos são figuras carismáticas e facilmente encontradas na mitologia e folclore escandinavos, nórdicos, germânicos e ingleses. Tornaram-se muito conhecidos, devido ao sucesso da adaptação cinematográfica da trilogia O Senhor dos Anéis, e consequentemente importantes dentro do imaginário da literatura fantástica e seus derivados: jogos eletrônicos, quadrinhos, jogos de RPG, filmes, etc. Muitos acreditam que foram inventados pelo próprio escritor J. R. R. Tolkien, ignorando as fontes mitológicas que o inspiraram na sua concepção para os elfos da Terra Média, no caso a mitologia nórdica acrescida da idéia dos valores cristãos.

Assim como fadas, gnomos e trolls, os elfos são pequenas divindades que habitam a natureza. Nela permanecem desfrutando sua infindável imortalidade e cultivando seu conhecimento sobre magia. Dominam também o uso de ervas mágicas, a leitura do mapa astral, conseguem viajar através de raios solares e podem atravessar portas e paredes. Sua aparência é semelhante ao do homem, porém distinguindo-se por sua beleza exuberante e jovialidade. Na mitologia nórdica, os elfos são descritos como semideuses ligados a idéia da fertilidade, assim como são os deuses Vanir. Classificados como "elfos da luz", foram relacionados ao Vanir conhecido como Freyr, deus nórdico do Sol. Mas quem seriam os elfos negros então? Seriam os anões na concepção do historiador islandês Snorri Sturluson, descritos como habitantes do mundo sob a terra e negros como a escuridão, ao contrário dos radiantes elfos da luz (os já falados Drows). Estes ainda eram descritos como amantes de banquetes regados a músicas alegres, vestiam-se com roupas verdes, possuíam olhos claros, cabelos prateados e orelhas pontudas como as dos duendes.

O folclore escandinavo difere da mitologia nórdica por possuir apenas elfas, habitantes das colinas e dos montes de pedras. Seu folclore criou uma série de costumes e crenças populares na Suécia, assim como temos a ferradura da sorte, o figo e o trevo de quatro folhas em nossa cultura brasileira. As älvor eram criaturas belíssimas e joviais, caracterizadas por mulheres loiras, vestidas de branco e que geralmente eram vistas dançando nos prados. Eram muito perigosas e podiam provocar doenças como vingança a provocações, por isso os escandinavos adquiriram o costume de gravar a cruz élfica em construções e objetos. Infelizmente a precaução não parava por aí, pois era necessário tomar cuidado com os anéis élficos: áreas circulares que podiam ser formadas por cogumelos onde as älvor estiveram dançando.

Os elfos ainda adotam um aspecto travesso e caricaturesco no folclore inglês. São descritos como pequenos seres de tendência caótica e que adoram pregar peças nos humanos. A obra de Shakespeare Sonho de uma Noite de Verão reforça o fato de "elfo" ser também sinônimo para "fada" ou ainda "encantado" (um ser mágico que habita as águas, o céu ou lugares sagrados).

Para os que ficaram curiosos ainda na concepção do elfo da Terra Média, o apêndice do livro O Retorno do Rei traz um breve resumo sobre eles, entretanto há um artigo completíssimo nessa página da Wikipédia em inglês. Espero que tenham gostado, abraços!

EIRPG 2009


Finalmente foram confirmados os dias no qual o EIRPG 2009 será realizado nesse ano. Muitos boatos afirmavam que o evento seria cancelado ou ocorreria dentro da programação do Anime Friends, um dos maiores eventos de anime da América Latina. Felizmente soube através dos companheiros do Ambrosia que o evento ocorrerá nos dias 4 e 5 de Julho e no mesmo local do ano passado, no caso o Colégio Marista Arquidiocesano, Vila Mariana. Só nos resta torcer para que ocorra também a Fantasticon 2009!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Filhos de Galagah


Como todo prezado brasileiro, tive de esperar o término desse prazeroso e ocioso feriado de Carnaval para retomar normalmente minhas atividades. Quem diria que hoje estaria resenhando o livro de um parceiro do Falando de Fantasia que rapidamente se tornou um amigo e mais um colega nas mirabolantes aventuras literárias fantásticas brasileiras. Estou falando de Leandro Reis, escritor paulista que lançou em Dezembro do ano passado seu primeiro e já aclamado romance Filhos de Galagah. Como já foi dito em outro artigo, acabei faturando por coincidência um exemplar do livro durante um sorteio na comunidade Escritores de Fantasia, o que foi uma ótima oportunidade para ser um dos primeiros a tirar conclusões dessa obra.

Filhos de Galagah conta a história de Galatea Goldshine, filha do venerado rei Airon Goldshine e motivo de adoração do povo de Galagah, este acostumado com a sabedoria com que o reino é comandado e com seus governantes carismáticos. Reverenciando o deus Radrak, os Guardiões da Vida são defensores sagrados que não medem forças para manter a ordem e eliminar qualquer tipo de injustiça; assim são Airon e seu conselheiro Ethan, por exemplo. Galatea, após anos de treinamento com seu tutor e lorde de guerra Módius e seu bondoso professor e bardo Vanliot, torna-se uma Campeã Sagrada com méritos e ainda recebe o título de Flagelo Dourado (antes pertencente ao misterioso Ethan). Escolhida pelo próprio Radrak, ela recebe a missão de encontrar três crianças denominadas Serafins e receber seus respectivos dons, porém isso terá de ser feito antes que os asseclas do maligno deus Orgul as alcancem. Para intensificar o clima da trama, o repentino sequestro de Thomas, irmão de Galatea, por parte dos enviados de Enelock acarreta no desespero da corte real. Existe uma profecia que afirma que a linhagem dos Goldshine será extinta pelas mãos dos aliados de Orgul. Mas em tempos de tempestade é preciso ter calma e muita fé, valores que torma os Guardiões da Vida tão especiais, assim como Galatea. Ela decide segui o destino traçado por Radrak e aguardar que as habilidades de seu irmão o salvem do perigo.

O enredo se desenrola com um ritmo agradável e flexível para com leitores novos e experientes, não perdendo a riqueza e não tornando-se enfadonho, porém o verdadeiro triunfo em Filhos de Galagah está justamente na construção dos diferentes personagens que são apresentados nesse universo. Quando digo que Galatea é irritante, não é por demérito à personagem, mas sim por seu fervor religioso que ultrapassa qualquer limite. Iallanara, ao contrário da Guardiã, é sombria, amargurada e encontra-se constantemente refletindo sobre sua condição. No início do livro ela contracena com a personagem principal, possibilitando ao leitor entender mais sobre seu passado e sobre o motivo que lhe causa tanto sofrimento; desde o prefácio já é possível perceber sua importância na conclusão do livro. Os elfos Sephiros e Gawyn são outros personagens que merecem muita atenção: enquanto um é sagaz e transmite uma aura de sabedoria ao leitor, o outro é piadista, hiperativo, mas com um grande senso de justiça; que atire a primeira pedra quem não riu de pelo menos uma piada contada por Gawyn! Garanto que sem essa dupla seria impossível ter uma história tão envolvente.

O que torna Filhos de Galagah tão especial é a honestidade que Leandro Reis nos conta suas histórias dentro de um cenário de alta fantasia. Percebemos em cada linha, em cada diálogo e em cada acontecimento a dedicação e o carinho com que foi escrita essa obra. Uma prova dessa dedicação é a contínua construção de Grinmelken através de contos, artigos sobre religião, descrições dos personagens e ilustrações dos mesmos, algo que deve agradar todos aqueles que se deliciaram com essa história e querem mais. É preciso lembrar que Filhos de Galagah é apenas o primeiro livro de muitos outros que ainda virão contando a história do mundo de Grinmelken, por isso aguardem por muito mais e torçam para que o segundo volume seja publicado em breve. Parabéns pela conquista Leandro e por mais um espaço aberto aos jovens escritores de fantasia e ficção científica.

Caso tenham se interessado pela obra, acessem o site oficial Grinmelken! Abraços e até a próxima.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Drows


Após uma breve pausa entre os artigos mitológicos, decidi abordar hoje uma raça de criaturas muito peculiar e pouco conhecida entre as pessoas que não vivenciaram universos de RPG como Forgotten Realms e Dungeons & Dragons. Os RPGísticas provavelmente irão adorar o artigo, porém aos leigos faltará a magia que é criada através dos enormes livros que compõem qualquer cenário de jogos de interpretação.

Os drows são originalmente fadas (ou em algumas versões "espíritos") provenientes do folclore escocês que habitam o subsolo, ao contrário de muitas outras criaturas mágicas, e costumam levar uma vida noturna. Suas maiores características físicas são a pele negra como uma obsidiana e os cabelos brancos ou pratas, também possuem olhos vermelhos na escuridão, que acabam variando para o verde em condições normais de luz; são esses elementos que os distinguem dos elfos, já que ambos são altos, magros e possuem uma beleza irracional. Normalmente os elfos noturnos, ou drows, são retratados nas lendas como criaturas perigosas, com típicas atitudes maliciosas e muitas vezes caóticas. Extremamente inteligentes, carismáticos e habilidosos, os elfos noturnos também dividem a fragilidade dos elfos, sendo as fêmeas sempre maiores e mais fortes que os machos. São portadores também de uma enorme afinidade com a magia, que infelizmente se torna deficiente quando os drows são expostos à luz do Sol.

A palavra drow é tida como uma forma alternativa para o termo trow, que por sua vez é um cognato do troll, outra criatura que também já passou aqui pelo Falando de Fantasia. É possível então interpretá-lo como uma criatura soturna, muito semelhante ao troll, porém existe ainda a origem nórdica e germânica, caso interpretarmos os drows simplesmente como elfos negros.

Os elfos negros (denominados como Dökkálfar ou Svartálfar no antigo nórdico) possuem os mesmos costumes que os drows da cultura escocesa, entretanto são conhecidos principalmente como o oposto dos elfos da luz (denominados como Ljósálfar). Habitam o mundo subterrâneo de Svartálfaheim, uma área subterrânea abaixo da mítica Midgard! Os elfos negros até possuem algumas semelhanças com os anões, como o cultivo de vermes retirados da carne de Ymir, o fato de se petrificarem quando expostos ao Sol e ainda a aparência semelhante a dos humanos; alguns historiadores afirmam que em certos momentos é até impossível distingui-los, não existindo um argumento claro para isso. Na cultura germânica a palavra "pesadelo" foi designada como albtraum (ou "elfo-sonho"), pois há a crença de que quando você está tendo um pesadelo, é porque algum elfo negro sentou-se em seu tórax e começou a sussurrar palavras em seus ouvidos! Curiosamente na Escandinávia a criatura com essa mesma função se chama Mara.

Hoje em dia é fácil encontrar a figura do drow na cultura da ficção fantástica e científica (Terra Média, Everquest, Record of Lodoss War e Warhammer). Como eu mesmo mencionei, eles são importantes personagens dentro do mundo de Dungeons & Dragons, onde foram adaptados e acabaram por ganhar uma nova roupagem, com direito a visões políticas, relacionamentos com o mundo exterior e até posições dualistas dentro de sua sociedade. É lógico que muito se perdeu em comparação com o original da cultura escocesa ou nórdica, mas é sempre interessante estudar o fenômeno pelo qual diversas mitologias passam ao se adaptarem ao nosso tempo. Espero que tenham gostado, até a próxima.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A Mão Esquerda da Escuridão


Como vai pessoal? Espero que bem depois desse Natal farto e recheado de todo o tipo de alimentos calóricos. Presentes? Eu não ganhei nada e vocês? Ontem acabei de terminar outro livro retirado da biblioteca, no caso a obra prima da autora Ursula K. Le Guin. Para os que já estão torcendo o nariz, aviso que se preparem, pois estou com um projeto novo em andamento: trata-se de um blog que focará apenas em criaturas mágicas, mitologia e outros seres fictícios. No momento estou aprontando as configurações e o layout, mas quando tudo estiver pronto, avisarei imediatamente aqui no Falando de Fantasia!

A Mão Esquerda da Escuridão foi um importante marco dentro dos livros de ficção científica, sendo respeitado até mesmo por escritores de outros gêneros; não foi por menos que recebeu os prêmios Hugo em 1970 e Nebula em 1969. O livro foi recentemente lançado pela editora Aleph, onde foi organizado até uma palestra sobre a vida e a obra da autora.

A história se passa dois anos após a chegada de Genly Ai, enviado do planeta Terra em serviço do Conselho Ecumênico, ao planeta Gethen, mais conhecido pelos pesquisadores como planeta Inverno, devido a seu clima glacial. A característica mais importante do planeta, além do clima, é o fato de todos os habitantes serem hermafroditas, não existindo homem ou mulher, o que contribui para a riqueza do cenário e o entendimento da cultura getheniana. A missão de Genly Ai é negociar com os governantes gethenianos a entrada do planeta ao conselho intergaláctico ecumênico, que funciona como uma confederação que organiza outras civilizações humanas distribuídas em mais de 80 planetas. A trama passa a se intensificar quando Genly presencia a constante tensão entre as nações de Karhide, onde reside, e Orgoreyn. A diferença crucial entre os dois locais é o fato de um possuir um regime de monarquia e o outro de uma democracia (que acaba por incluir até um orgão de censura, no livro chamado de Sarf).

Desde o início da história é o primeiro ministro Estraven quem acolhe e se torna amigo de Genly Ai; a relação que mantêm é um tanto fria e acaba por se tornar uma inimizade após um suposto golpe por parte de Estraven, porém o exílio deste, sua fuga para Orgoreyn e sua memorável travessia pelos gelos eternos ao lado de Genly tornam a amizade deles outro ponto genial do livro! Neste momento é que o leitor observa que não há um antagonista, mas sim sociedades com situações adversas (e injustas) aos protagonistas.

Perseguições, traições políticas, exílio, incesto, suicídio, tortura e alienação são alguns dos elementos que contribuem para um clima pesado e conturbado no enredo, apesar de muia coisa ser implícita e as cenas não serem chocantes. O interessante de ser observado é o estudo antropológico, sociológico e psicológico que se dá na ótica do leitor bem informado. Ursula K. Le Guin utiliza a construção do seu universo para estudar certas características sociais: dualismo, manequísmo, patriotismo, relações amorosas, amizade, poder, etc. É terrivelmente engraçado entender certos mecanismos que só existiriam em uma sociedade hermafrodita (como o fato de não existirem guerras ou conflitos diretos).

Para enriquecer a história vivida tanto na ótica de Genly Ai quanto na de Estraven, existem capítulos dedicados ao mito de criação do mundo, lendas, histórias, diferenças do planeta Inverno em relação ao nosso e à religião. Posso afirmar que é um mundo tão bem construído quanto a Terra Média ou o planeta Duna. Uma trama inovadora para os jovens, um metáfora sobre a humanidade para os adultos e uma história inesquecível para ambos, vale a pena dar uma conferida. Até a próxima, caros leitores.

Toda ficção é metáfora. Ficção científica é metáfora.
Ursula K. Le Guin

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas Festas


Tivemos um ano tumultuado; um ano que passou rápido demais, teve complicações demais, mas felizmente muitas realizações nas áreas de nosso interesse. Muitos livros nacionais publicados, vários eventos do gênero e o contínuo crescimento da comunidade brasileira de ficção e literatura mostram que o ano de 2008 foi mais bacana do que aparenta! Para o Falando de Fantasia esse foi um ano de amadurecimento e principalmente de paciência por parte dos leitores e apreciadores do blog. Com a agenda apertada, fui obrigado a ficar sem escrever por meses, a acrescentar outro moderador (que acabou desistindo de sua função), a reestruturar totalmente o layout e a divulgar meu trabalho pelos locais mais estranhos da Internet. Felizmente colhi muitos frutos com algum suor: conquistei muitos leitores amáveis e atenciosos, ganhei parcerias maravilhosas (Geradorii, cadê você?), aprendi muitas lições no meio da ficção e principalmente vi a necessidade de uma melhor administração.

Antes de desejar fartura, gostaria de agradecer algumas pessoas que foram especiais para mim neste ano. Primeiramente gostaria de agradecer aos leitores, responsáveis pela vitalidade do Falando de Fantasia! Quantas vezes eu me deparei com vários emails elogiando o blog e pedindo auxílio para um livro, um texto ou até na elobaração de uma aula de mitologia para crianças! Depois gostaria de agradecer aos parceiros que acreditam e apóiam de verdade o Falando de Fantasia, vendo nele um potencial criativo dentro da blogosfera. Não só tive a admiração de outros blogueiros, como também de escritores! É aqui que cito os nomes de Roberlandio A. Pinheiro, Luciano R. S. e o caro Leandro Reis (responsável pela minha foto com um belo exemplar do seu livro Filhos de Galagah, recebi-o com carinho após um sorteio, muito obrigado Leandro!). Também tenho de agradecer o conhecimento passado pelo pessoal da Escritores de Fantasia, foi graças a eles que soube realmente o que é fantasia e o que é ficção científica, muito obrigado pelo aprendizado! Por fim queria agradecer meu grande amigo Willian Sertório, cujas críticas me tornaram um leitor mais sagaz e cujas discussões filosóficas, psicológicas e n-ógicas me fizeram refletir mais, e minha namorada Mariane Gerez Mendes, cujos conselhos sempre me tornam uma pessoa melhor.

Gostaria de aproveitar o momento para deixar claro que minha falta de tempo impede a criação de artigos sobre criaturas e artefatos! O objetivo do blog sempre foi de mostrar tudo que fosse relacionado a fantasia, desde livros e filmes até mitologia e folclore. Caso queiram algum conteúdo em especial, por favor, deixem comentários ou mandem emails que eu farei questão de pesquisar e escrever sobre. Desde o sucesso de uma resenha de um livro, no caso O Guia do Mochileiro das Galáxias, venho sendo guiado a seguir esse rumo, já que quero agradar aos leitores, todavia já havia planejado aproveitar as férias para a criação de artigos mais complexos de mitologia. Não é possível agradar gregos e troianos, mas tentarei chegar o mais próximo disso. Obrigado pela atenção e por me aguentar por aqui. Desejo um Feliz Natal, ótimas festas e um próspero Ano Novo! Aproveitem a época festiva para comer muito, rir com os amigos e vislumbrar novos sonhos, pois só de sonhos vive o homem.

Para os interessados, aqui no Falando de Fantasia já foi escrito um artigo razoavelmente completo sobre o Papai Noel, deixo também dois vídeos super engraçados para descontrair um pouco (recomendações do próprio André Vianco). Abraços e até ano que vem!

Exterminador do Futuro salva Jesus Cristo


Academia para Papai Noel

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As Fontes do Paraíso


Semana passada, aproveitando meu início de férias em um rápido passeio pela minha querida cidade, descobri que a prefeitura finalmente decidiu instalar uma biblioteca municipal. Pode parecer um absurdo, mas até então não havia uma! Com grande felicidade adentrei o recinto e fui logo tratando de me cadastrar. Por infortúnio nenhum livro estava catalogado, por isso tive de me dar o trabalho de caçar as relíquias. Entre um clássico da literatura brasileira e um livro de Agatha Christie, encontrei Umberto Eco, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Michael Ende, Marion Zimmer Bradley e até Frank Herbert! Aproveitando o fato de ter adquirido recentemente a versão estendida do filme Duna e o livro O Restaurante no Fim do Universo, segundo volume da série de Douglas Adams, decidi levar o livro As Fontes do Paraíso, clássico do mestre da ficção científica Arthur C. Clarke, conhecido principalmente pelo livro 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Clarke sempre foi um amante dos contos de ficção científica e da astronomia, não foi à toa que após sua experiência militar durante a Segunda Guerra Mundial ele tenha se graduado com grandes méritos em Física e Matemática; um grande salto para que pudesse contribuir para a ciência. Sua maior contribuição para o setor das telecomunicações foi o projeto do satélite geoestacionário, realizado com sucesso 25 anos após suas especulações. Mudou-se e viveu até sua morte no Sri Lanka, local onde passou a criar afeição pela fotografia e a exploração submarina; foi lá também que surgiram muitos elementos que impulsionaram a criação do livro As Fontes do Paraíso.

Em meados do século XXII, a Terra se encontra em um momento turbulento na área do tráfego espacial. Além do uso de foguetes estar prejudicando o ambiente, ele não possibilita ainda o acesso da nação ao espaço, sendo este ainda privilégio para poucos. Certo dia, em Taprobana, o embaixador Rajasinghe acaba por receber a ilustre visita do engenheiro Vannevar Morgan, famoso por ter projetado a Ponte de Gibraltar, conectando os continentes da África e da Europa. Morgan, após uma visita pelas belas localidades do pequeno país da Taprobana, como os Jardins das Delícias, resolve apresentar sua proposta ousada, no caso transformar a ilha de Sri Kanda (sic) no centro do sistema solar! Seu raciocínio é simples: seria construído um satélite geoestacionário (um satélite que completa uma volta diária sobre a superfície da Terra com a mesma velocidade da mesma, tendo assim uma ilusão de imobilidade) e dele seria lançado um cabo até o solo terrestre, esse cabo seria responsável então por carregar um sistema parecido com um elevador! Qualquer passageiro poderia ir até o espaço por apenas alguns trocados em eletricidade, já que a maior parte dela consegue ser reaproveitada. Apesar de estranha, a idéia no qual se inspirou Clarke já havia sido publicada em uma nota da revista Science de 1966!

Convencer Rajasinghe de seus planos não era o suficiente, Morgan ainda teria de enfrentar muitos outros problemas. Além do impacto ambiental ao local e do fato de Taprobana ser uma relíquia histórica, o local ideal para a instalação do elevador espacial coincidia com a localização da Montanha Sagrada do Sri Kanda, protegida pelos monges seculares que ali habitavam. Outros problemas ainda surgem no decorrer trama: a descrença dos empregadores, críticas pesadas por parte da mídia e de famosos estudiosos, como o Dr. Bickerstaff e o Dr. Choam Goldberg, e principalmente pela falta de investidores, já que o custo total do projeto é caríssimo. Com a amizade de Rajasinghe e da corajosa jornalista Maxine Duval, Morgan enfrenta seus oponentes e passa a abrir caminho para seu sonho. Com uma narrativa que flutua em torno da construção da torre espacial, alguns personagens e situações diferentes são apresentadas capítulo a capítulo. No livro passamos desde o Rei Kalidasa e seu sonho em construir uma torre alta o suficiente para chegar ao Céu, até a estranha aparição do Sideronauta, fato que culminou na descoberta da vida extraterrestre.

Mesmo nos momentos finais do livro vemos a tecnologia como algo que pode ser utilizado para o bem da humanidade. Ao contrário de outros livros pessimistas, Clarke nos passa essa brilhante visão ilustrando a possibilidade de realizarmos o que desejamos profundamente com auxílio do avanço tecnológico. Para quem deseja ler uma ficção científica pura, técnica e que fale sobre os homens a partir das suas máquinas e criações, recomendo que leiam essa obra tão sensível.

Queria aproveitar o momento para agradecer o comentário da leitora Mariana no artigo sobre o livro Coraline. Sério, sinto-me muito feliz por saber que alguém partiu para cima das recomendações que deixei por aqui. Também fiquei muito perdido sobre o que ler, porém acabei me encaminhando para esse gênero que a cada livro me surpreende mais e mais! Caso você queira recomendar alguma coisa, estou sempre aqui para ler sugestões. Até a próxima pessoal!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Battlestar Galactica: The Face of The Enemy


A franquia Battlestar Galactica já é uma velha conhecida dos fãs de ficção científica. Eleita uma das mais influentes séries de ficção científica dos últimos 25 anos, Battlestar Galactica conquistou uma legião de fãs em 1978; isso graças a suas batalhas grandiosas, seus cenários elaborados e seu enredo inovador para a época. Em 2003 os produtores, a pedido dos fãs, recriaram alguns episódios da antiga história, mas aproveitando o potencial da trama decidiram por começar algo totalmente novo em 2004. Atualmente Battlestar Galactica está sendo exibida pelo canal TNT.

No dia 12 de Dezembro ocorreu a estréia da microssérie Battlestar Galactica: The Face of The Enemy na Internet. Os webisódios poderão ser assistidos pelo site oficial da série, porém já aviso que eles estão bloqueados para alguns países, como nosso querido Brasil! Felizmente algum fã está disponibilizando os episódios pelo YouTube. A trama envolve o navegador Felix Gaeta e a andróide número 8 em busca dos assassinos dos seus companheiros da tripulação. Cada webisódio está sendo lançado em um intervalo de dois ou três dias, por isso fiquem ligados.