
A crença do golem engloba um papel muito importante dentro da mitologia e da filosofia, no caso esse papel se trata da busca do homem pela criação de um ser semelhante. É claro, não vale citar a reprodução natural como parte dessa busca, o interessante é foca na criação "artificial"! Essa temática da fabricação de um ser está espalhada em diversas culturas e influenciou diversos elementos que compõem a nossa cultura: a idéia do golem está presente desde o mito de Prometeu até o livro Frankenstein. As tradições místicas do judaísmo, particularmente a cabala, diziam que Deus havia criado o primeiro homem através de uma sucessão de ritos, não em um estalar de dedos, caso esse ritos fossem retomados e repetidos pelos estudiosos seria possível a criação de uma nova criatura. Há uma linha de raciocínio presente no Talmud que diz que até mesmo Adão havia sido um golem, já que ele também veio do pó; lembrando que os golens são provenientes da lama, existindo aí então uma correlação de elementos da alquimia.
No folclore judaico a palavra golem possui o significado literal de "casulo". Já no hebraico moderno a palavra significa "estúpido" ou ainda "imbecil". Curiosa essa última etimologia, pois a figura do golem sempre foi associada a submissão. O golem era criado a fim de servir seu mestre, seguindo todas as ordens a risca, nem sequer medindo as conseqüências de seus atos. O substantivo também pode ter sido derivado da palavra gelem que significa "matéria prima".
A história mais famosa que envolve a fabricação de um golem data do século XVI, mais exatamente na cidade de Praga. O rabino Judah Loew, orientado pelos ritos compreendidos no Livro da Criação do escritor Eleazar de Worms, começou a testar várias combinações de fórmulas com a finalidade de gerar vida. Certo tempo depois, após muitas falhas, o inesperado ocorre: do pó armazenado no armário do rabino uma figura humana começa a tomar moldes. Na cabeça do golem foi escrita a palavra Emet (verdade), assim a criatura pode tomar vida e se levantar.
Judah Loew tinha como objetivo criar um protetor para o gueto que constantemente sofria ataques anti-semitas. Durante o dia a criatura ficava escondida no sótão da casa do rabino, porém ela foi crescendo com o tempo, chegou então ao ponto de quebrar o telhado e se tornar visível a multidão. Tornando-se violento, o golem começou a espalhar o medo no gueto. Não restou alternativa a não ser lançar uma contra-magia e cessar com o caos; Judah apagou uma das letras da testa do golem e este voltou ao pó de onde viera.
Tempos mais tarde a escritora Mary Shelley se aproveitou da mesma história, apenas fazendo certas modificações que trouxeram o golem da cabala para a modernidade, sendo agora um ser movido por equipamentos provenientes da revolução industrial. Frankenstein foi um marco na literatura e até hoje é lembrado por sua consistência e sua metáfora sobre até que ponto o homem pode dominar suas criações.
Partindo agora para o lado RPGístico do artigo, vale sintetizar que o golem é uma criatura fabricada a partir de qualquer material que, através de ritos, passa a ganhar vida; esses materiais podem ser carne, ferro, pedra, areia, diamante ou até madeira. Esses rituais de criação tanto podem ser religiosos, quanto tecnológicos, variando de alquimia a cabala, como já foi citado. Palavras e símbolos impressos no corpo desses monstros representam a magia ali selada, que só pode ser quebrada de acordo com as regras impostas na criação.
Bom, por enquanto é só. Espero que tenham gostado do artigo e que continuem visitando sempre o blog, até a próxima!