terça-feira, 2 de setembro de 2008

Black Hole

Como tem andado meus caros? Espero que bem até então, espero que desculpe a minha demora em relação aos artigos; já recebi vários emails de leitores pedindo maior demanda de textos, mas a minha rotina anda meio apertada e não é sempre que eu visualizo algum assunto para abordar aqui. Por isso mesmo deixo aqui meu pedido de que você, caso tenha alguma idéia ou dúvida, colabore e dê alguma sugestão! O artigo de hoje será novamente sobre quadrinhos, por isso peço perdão aos que apreciam mais os textos sobre criaturas e mitologia. A graphic novel em questão me veio parar nas mãos por acaso, pois um colega da minha faculdade me trouxe de surpresa e até então desconhecia o título e até mesmo o autor! Um pecado para um trabalho tão envolvente.

Black Hole é o mais importante trabalho do quadrinista Charles Burns, famoso por seus desenhos carregados de nanquim e sua participação na revista Raw e com a série El Borbah na revista Heavy Metal. O trabalhado empenhado em Black Hole demorou singelos 10 anos para ser concluído, o que mostra a dedicação e o compromisso do autor com sua obra. Felizmente nesse meio tempo ele pode conquistar vários prêmios, tais quais o Eisner Award de Melhor Álbum, em 2006, e o Harvey Awards. Através de pesquisas cheguei a notícia de que uma adaptação cinematográfica do quadrinho foi anunciada; o roteiro já foi totalmente adaptado por nada mais e nada menos que os gigantes Neil Gaiman e Roger Avary, o que com certeza impulsionará tanto o nome "Black Hole" quanto o do próprio Charles Burns para fora do meio underground; o que eu acho muito bom, já que eu mesmo gostaria de ter tido contato com esse material mais cedo e não repentinamente.

Black Hole, com certas características autobiográficas de Burns, nos conta a história de uma Seattle alternativa dos anos 70, onde um maléfico vírus tem afetado diversos adolescentes, impondo-lhes deformações corporais. Cada infectado possui uma reação diferente, isso varia desde mãos com membranas até transformações medonhas, onde jovens perdem muitas características humanas como a própria fala. Excluídos da sociedade, esses jovens deformados criam um acampamento próximo da cidade; único meio de se isolar do mundo para conseguir um pouco de paz. Seguindo um ritmo melancólico, depressivo e até certo ponto perturbador, Black Hole nos mostra o cotidiano de alguns jovens que transitam entre drogas, sexo e mutações. Podemos tomar como protagonistas os personagens Chris e Keith, dois adolescentes com histórias que, apesar de certas ligações (Keith é apaixonado por Chris, mas ela é apaixonada por Rob, garoto com o qual contraiu o vírus) se passam em diferentes locais e momentos; a narrativa nos leva até o momento dramática em que ambos são infectados.

Com traços diferentes e bem característicos, que bebe muito da mistura do vintage, do LSD e do horror, Charles Burns nos conta toda essa trama simbólica sobre o terror da adolescência e as experiências que nela acumulamos. Talvez faça mais sentido para um adulto no auge de seus 40 anos, todavia é ainda uma tremenda experiência visual e artística; facilmente encaixado dentro da literatura pop. Só lendo para compreender a estranha sensação de ter alguns pontos comuns com os personagens, de já ter passado por aquela situação e já ter tido "aquele" terror psicológico, aquela agonia.

Aproveitem também que os preços dos dois volumes que saíram pela Conrad estão bem amistosos! Caso você esteja duro, pode conferir o primeiro volume no Palhastro; em breve procuro a segunda edição. Espero que tenham gostado, até a próxima!

4 comentários:

Ewaldy Marengo disse...

Ahe! Finalmente post novo ! \o/

Infelizmente vou ter que procurar na internet essa história. Não tenho nem idéia sobre onde encontrá-lo. :(

Abraços, e espero que esteja indo bem na faculdade ;)

Felms disse...

Boa campeão, li, gostei e recomendo!
Boa dica, bom post e bom blog!

André Lasak disse...

Faaaaaaala, Cezar!

Agradeço a visita ao Quimera Ufana!

Já coloquei seu banner n'A Máfia, hehehe.

ABRAÇÃO!

Fabio Ciccone disse...

Ah, que ótimo, agora vou ter que comprar o livro.


Falando sério, muito bom o artigo!