segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As Fontes do Paraíso


Semana passada, aproveitando meu início de férias em um rápido passeio pela minha querida cidade, descobri que a prefeitura finalmente decidiu instalar uma biblioteca municipal. Pode parecer um absurdo, mas até então não havia uma! Com grande felicidade adentrei o recinto e fui logo tratando de me cadastrar. Por infortúnio nenhum livro estava catalogado, por isso tive de me dar o trabalho de caçar as relíquias. Entre um clássico da literatura brasileira e um livro de Agatha Christie, encontrei Umberto Eco, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Michael Ende, Marion Zimmer Bradley e até Frank Herbert! Aproveitando o fato de ter adquirido recentemente a versão estendida do filme Duna e o livro O Restaurante no Fim do Universo, segundo volume da série de Douglas Adams, decidi levar o livro As Fontes do Paraíso, clássico do mestre da ficção científica Arthur C. Clarke, conhecido principalmente pelo livro 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Clarke sempre foi um amante dos contos de ficção científica e da astronomia, não foi à toa que após sua experiência militar durante a Segunda Guerra Mundial ele tenha se graduado com grandes méritos em Física e Matemática; um grande salto para que pudesse contribuir para a ciência. Sua maior contribuição para o setor das telecomunicações foi o projeto do satélite geoestacionário, realizado com sucesso 25 anos após suas especulações. Mudou-se e viveu até sua morte no Sri Lanka, local onde passou a criar afeição pela fotografia e a exploração submarina; foi lá também que surgiram muitos elementos que impulsionaram a criação do livro As Fontes do Paraíso.

Em meados do século XXII, a Terra se encontra em um momento turbulento na área do tráfego espacial. Além do uso de foguetes estar prejudicando o ambiente, ele não possibilita ainda o acesso da nação ao espaço, sendo este ainda privilégio para poucos. Certo dia, em Taprobana, o embaixador Rajasinghe acaba por receber a ilustre visita do engenheiro Vannevar Morgan, famoso por ter projetado a Ponte de Gibraltar, conectando os continentes da África e da Europa. Morgan, após uma visita pelas belas localidades do pequeno país da Taprobana, como os Jardins das Delícias, resolve apresentar sua proposta ousada, no caso transformar a ilha de Sri Kanda (sic) no centro do sistema solar! Seu raciocínio é simples: seria construído um satélite geoestacionário (um satélite que completa uma volta diária sobre a superfície da Terra com a mesma velocidade da mesma, tendo assim uma ilusão de imobilidade) e dele seria lançado um cabo até o solo terrestre, esse cabo seria responsável então por carregar um sistema parecido com um elevador! Qualquer passageiro poderia ir até o espaço por apenas alguns trocados em eletricidade, já que a maior parte dela consegue ser reaproveitada. Apesar de estranha, a idéia no qual se inspirou Clarke já havia sido publicada em uma nota da revista Science de 1966!

Convencer Rajasinghe de seus planos não era o suficiente, Morgan ainda teria de enfrentar muitos outros problemas. Além do impacto ambiental ao local e do fato de Taprobana ser uma relíquia histórica, o local ideal para a instalação do elevador espacial coincidia com a localização da Montanha Sagrada do Sri Kanda, protegida pelos monges seculares que ali habitavam. Outros problemas ainda surgem no decorrer trama: a descrença dos empregadores, críticas pesadas por parte da mídia e de famosos estudiosos, como o Dr. Bickerstaff e o Dr. Choam Goldberg, e principalmente pela falta de investidores, já que o custo total do projeto é caríssimo. Com a amizade de Rajasinghe e da corajosa jornalista Maxine Duval, Morgan enfrenta seus oponentes e passa a abrir caminho para seu sonho. Com uma narrativa que flutua em torno da construção da torre espacial, alguns personagens e situações diferentes são apresentadas capítulo a capítulo. No livro passamos desde o Rei Kalidasa e seu sonho em construir uma torre alta o suficiente para chegar ao Céu, até a estranha aparição do Sideronauta, fato que culminou na descoberta da vida extraterrestre.

Mesmo nos momentos finais do livro vemos a tecnologia como algo que pode ser utilizado para o bem da humanidade. Ao contrário de outros livros pessimistas, Clarke nos passa essa brilhante visão ilustrando a possibilidade de realizarmos o que desejamos profundamente com auxílio do avanço tecnológico. Para quem deseja ler uma ficção científica pura, técnica e que fale sobre os homens a partir das suas máquinas e criações, recomendo que leiam essa obra tão sensível.

Queria aproveitar o momento para agradecer o comentário da leitora Mariana no artigo sobre o livro Coraline. Sério, sinto-me muito feliz por saber que alguém partiu para cima das recomendações que deixei por aqui. Também fiquei muito perdido sobre o que ler, porém acabei me encaminhando para esse gênero que a cada livro me surpreende mais e mais! Caso você queira recomendar alguma coisa, estou sempre aqui para ler sugestões. Até a próxima pessoal!

2 comentários:

Fábio disse...

Excelente blog, Cézar! E gostei deste post sobre o Clarke velho de guerra! :-)

Keep up the good job!!

Brook disse...

caro cézar.
eu não sei se era sua ideia desde o inicio mas eu acho que ,desde que foi criado o blog tem perdido sua identidade original.
pelo que eu entendi este blog foi criado para debater e demonstrar mitologias diferentes, desde a antiga, como baba yaga e anansi até a mais conteporanea como batlestar galactica, mas, na minha opinião algo se perdeu no meio do caminho.
ele deixou de ser um blog de mitologia e passou a resenhar filmes e livros.
não que as resenhas não sejam ótimas ou que os livros e filmes que voce indica não sejam excelentes, mas eu sinto um pouco de falta dos velhos posts sobre criaturas e objetos encantados que encantaram civilizações atravez da história.
desculpe qualquer coisa, mas é o que eu penso.