sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Vazio

Aqui está minha primeira tentativa de escrever um conto, como quase ninguém o leu, e quem o fez não deu muito bola, vou aceitar de bom grado algumas críticas e sugestões. Como não tenho o que dizer a respeito de mim, desejo apenas uma boa leitura!

Vazio

A espada vermelha descansou na relva verde e macia. Roan, um mercenário reverenciado por sua sagacidade e braveza, estava reduzido a um pequeno homem, não em seu físico, mas em sua mente. Sentia que seu cérebro estava oco.

Sua vida era um mar de sangue, o que veio a apelidá-lo de "O Rubro". Sua rotina era reduzir castelos a cinzas, desfigurar guerreiros imortais, vingar reis furiosos e caçar seres inimagináveis, isso já por mera diversão. No entanto, bem no fundo de sua alma cor de rubi, sentia que havia algo de errado. Um vazio. Sim! Um vazio havia brotado em seu peito. Tristeza? Não, ele era um homem que sobrevivera incontáveis invernos, um homem temido por reinos, um semideus da guerra, um vencedor.

Sua cabeça se retorcia, buscando respostas que ali não estavam. Talvez se ele não tivesse dado ouvidos ao seu pai e tivesse aproveitado melhor sua juventude. Mas só “talvez”.

Roan sentiu nojo de suas armas. Sua espada que cortara centenas de pescoços, seu escudo que espremera tantos crânios e seu machado, que não tivera pena em retirar de muitos homens suas pernas e braços. Então um lapso final trouxe a memória de Roan um certo acontecimento que sempre evitava: a morte de uma família inteira através de suas mãos embriagadas. Uma morte desesperada e incontrolável, onde seu punho quebrou costelas como se fossem biscoitos.

Ira, raiva e medo. Angústia praguejada pelos deuses. Seria essa torrente de pensamentos um feitiço? Alguém o desejava morto? Muitos o desejavam. Muitos. Afinal, Roan era um mercenário, mutilava qualquer um a troco de moedas, virgens e terras. Não tinha tempo para amizades, muito menos para o amor. Mesmo odiando seu trabalho, não tinha escolha, só sabia manejar armas brancas. Ou era isso ou se tornaria um açougueiro, um fétido açougueiro. Seria motivo de chacota para todos que o desprezavam. "Lá vai o Roan, banhado de sangue de boi, contaminado por fezes de porco! Vai lá, grande pútrido Rubro".

O amor o teria salvado de tudo isso. Se tivesse dado mais tempo ao tempo. Se tivesse reparado nos olhares de Licya. Se tivesse pensado da mesma forma que estava pensando agora! "Inúteis reflexões que avisam a gente quando a vida já passou por cima!”.

Levantou-se, odiando mais do que tudo ele mesmo, desejando que esse sentimento, chamado arrependimento, fosse apenas uma ilusão e que não o levaria a lugar algum; fingiu que tudo estava bom para ocultar sua consternação. Seguiu adiante, procurando a próxima taverna. Queria agora encher um pouco a cara e espancar alguns maltrapilhos.

- Cezar Berger Junior

2 comentários:

Daniel Felismino disse...

Você pediu uma critica.

Achei bem estruturado gramaticalmente, mas poderia haver uma maior variedade de adjetivos("O Rubro" me soa tão batido...). Acho também que você poderai ter caprichado mais no atributo nocaute que todo conto tem, aquele final que surpreende.

Mas continue, porque só se aprende a escrever escrevendo.

Abraços.

Mateus disse...

Gostei bastante!
Minha crítica é: "achei legal."
Abraço!